Carvalho defende intromissão de Lula e diz que só IR será negociado
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BERNARDO MELLO FRANCO
ENVIADO ESPECIAL A DACAR
ENVIADO ESPECIAL A DACAR
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse nesta terça-feira que o governo está disposto a ceder na negociação sobre a correção do IR (Imposto de Renda), mas manterá a proposta de R$ 545 para o salário mínimo.
Carvalho defendeu a intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no debate e afirmou que a declaração do petista indica que o governo está mantendo a regra do reajuste negociada na gestão de Lula.
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"É evidente que se tivéssemos folga e uma situação fiscal tranquila poderíamos ser mais generosos", disse o ministro.
"O governo tem pressa em aprovar no Congresso uma regra para formalizar o critério de correção dos salários. Temos interesse em votar isso logo. Na questão do mínimo nós entendemos que não há mais negociação. A nossa tendência é reafirmar os R$ 545. Na questão do IR é evidente que vamos conversar", reiterou.
Ontem, o ex-presidente Lula acusou de oportunista a recusa dos dirigentes sindicais em aceitar o aumento no salário mínimo proposto pelo governo de sua sucessora, Dilma Rousseff. As centrais sindicais querem R$ 580, embora sinalizem que podem admitir valor mais baixo.
Lula fez duras críticas às entidades. "O que não pode é os nossos companheiros sindicalistas, a cada momento, quererem mudar a regra do jogo", disse em Dacar, onde participa do Fórum Social Mundial.
"Ou você tem uma regra, aprova na Câmara, vira lei e todo mundo fica tranquilo, ou você fica com o oportunismo."
O ex-presidente disse que a regra do reajuste não foi dada pelo governo, e sim negociada com as centrais sindicais pelo então ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), hoje prefeito de São Bernardo do Campo.
"Na política, muitas vezes vale a palavra. Não é uma boa política querer mudar a cada ano um acordo que a gente faça."
Em seu governo, Lula chegou a enviar um projeto que previa uma política para o salário válida até 2023. O Congresso, contudo, não o aprovou.
Dilma, agora, discute fechar uma política de valorização a médio prazo: só até 2014.
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